
Ensinou o Divino Mestre que, “quando alguém te pedir um peixe, dá-lhe um caniço e ensina-o a pescar”.
No nosso último escrito deixamos por opinião que, sobre a crise grave que atravessa a gloriosa Lusitânia, seria boa ideia “auscultar o seu velho rival mas bom amigo Santa Clara, que passou e ainda passa, por situação idêntica, e estamos certos que não lhe será negada a ajuda “. Embora não saibamos se assim aconteceu, o certo é que, se o profeta não foi à montanha, esta foi ao profeta.
Resta ainda acrescentar, que aquela nossa sugestão teve “feed back” e chegaram-nos palavras de apoio à ideia, não só de São Miguel, Terceira e Faial, mas também do continente português, e até do Canadá e Estados Unidos da América. Ficamos satisfeitos por de alguma forma, não ter a mesma caído em saco roto, e os movimentos estão à vista.
Em entrevista dada à tarde desportiva da Antena Um Açores, o velho “leão” João Menezes, rosto e porta-voz dum grupo de lusitanistas dos quatro costados, com a humildade e verticalidade que lhe reconhecemos, falou de forma simples, sentida e realista, que calou fundo em quem o ouvi com atenção. E como tínhamos previsto e manifestado, que tremer sim, cair nunca, aquele dirigente não se pautou por discursos condenatórios nem tão pouco individualizou possíveis culpados. Não os esqueceu, mas também disse que era preciso ultrapassar tudo isto, e não chorar só sobre o leite derramado. Havia que ir mais além. Chamar à luta os homens de boa vontade. Grande leão João Menezes!
Do ninho da Águia, voou em auxílio do irmão leão, o presidente do glorioso Santa Clara, Cruz Marques, outro homem bom em nome de homens bons que gerem os destinos dos encarnados de São Miguel. E porque sentiram e sentem na pele o que são as dificuldades vividas pelo clube terceirense, seu velho adversário que nunca seu inimigo, de pronto disponibilizou a equipa principal do Santa Clara, para um jogo a realizar em data oportuna aos dois e a ter lugar na cidade património mundial, cuja receita reverterá a favor da Lusitânia em dificuldades financeiras. Que gesto de alto nobreza!
E aproveitando esta onda de solidariedade e união, reforçamos a velha ideia por nós e outros há muito defendida de que, a verdadeira unidade açoriana, sempre se fez através do Desporto, concretamente do futebol. Mais ainda, permitimo-nos acrescentar mais uma pedra para o templo. Que este encontro seja feito em duas mãos: uma na Terceira outra em São Miguel. Dois troféus em disputa para vencedores e vencidos. Chamamos à iniciativa os baluartes que os podem tornar possíveis, SATA , BANIF, Hotéis da duas cidades, que de braço dado com a organização, dessem o seu valiosos contributo. E mais ainda, como as datas são apertadas, recordamos que a 18 de Abril próximo, o Estádio de São Miguel comemora os seus 34 anos de inauguração, então com selecções de São Miguel, Terceira e Faial. Então era Domingo de Páscoa, que este ano se verifica a 4 do mesmo mês. Não seria uma boa altura?
Fica a ideia se tiver alguma viabilidade. Para já o que mais nos interessa é assinalar este gesto do Santa Clara, vindo em socorro do seu adversário. Que grande lição em especial nos dias que correm. Juntos como irmão, membros duma grande comunidade desportiva açoriana, de que são expoentes máximos.
Tal como a pobre viúva que tinha dois dinheiros e deu um para um irmão mais necessitado, o Santa Clara fez o mesmo pela Lusitânia. Se fosse em sentido contrário, temos a certeza que aconteceria o mesmo. Aqui não há alianças da melancia, ou acordos de ocasião. Houve sim o sentido de solidariedade, sã e sem dúvidas. Houve a verdadeira unidade açoriana a funcionar, ontem como hoje, hoje como sempre. Que bom seria que outros sectores da vida destas ilhas colhessem com humildade, a lição agora dada.
Grandes águias, grandes leões! Juntos como irmãos, adversários na luta, unidos no infortúnio.
João de Brito Zeferino